No quadro atual da vida brasileira, somente a bandeira social-liberal, hasteada para o despertar da sociedade, pode sustentar e alimentar as práticas democráticas que exercitamos.
A junção do binômio “social-liberal” embasa os princípios de uma doutrina, a nosso ver, que cuida da sociedade com suas diferenças, diante do comportamento do Estado concentrador e paternalista para prepará-la para as mudanças que ora se impõem.
Nessa ótica, a liberdade é o valor fundamental de toda a organização social e política. Ao contrário de alguns pensadores, nós sociais-liberais entendemos que a liberdade consciente impõe mais regras que muitas organizações político-sociais de regime forte. A liberdade que propugnamos é a liberdade organizatória. É a liberdade que a própria sociedade vê com a noção exata dos seus próprios limites. A liberdade que vai até o espaço ocupado por outrem.
O eminente ex-Ministro Célio Borja, certa feita externou um pensamento liberal dizendo: “Qualquer organização que se queira eficaz, funcional, dotada deste poder de criação fundamental tanto na sociedade como na política, há de adotar, como premissa maior, como fundamento, a liberdade. Uma sociedade que tenha como base a supressão desta liberdade, ou o arbítrio da autoridade, é incapaz de criar, de dirimir conflitos, de assegurar bem-estar. Portanto, o liberal é aquele que acredita que a liberdade tem força, poder, eficácia organizatória”.
A sociedade brasileira deve ser convocada à discussão de um sistema social-liberal, colimando uma abertura maior do Brasil para o mundo, ao tempo que, internamente deve cada vez mais alargar seus espaços para possibilidades maiores dos seus filhos. É evidente que um sistema fechado, autocrático, inibe as melhores condições do homem.
A liberdade é o grande desafio porque ela é capaz de corrigir ou permitir se corrigir os desvios naturais decorrentes do comportamento humano. A liberdade estimula com certeza as melhores qualidades do homem: a generosidade, a solidariedade, a cooperação.
O Estado na nossa concepção deve se afastar ao máximo da condição de “Grande Pai” deixando de cuidar de todo mundo, porque nesses casos todos se sentem exonerados de suas responsabilidades sociais.
Na economia a regra liberal é ainda mais verdadeira, pois quem quiser administrar a economia, certamente não governa. O Estado é mero prestador de serviços públicos e deve se afastar por completo da competição empresarial. Deve cingir-se a emprestar o seu Poder Jurisdicional, notadamente na segurança pública, base da paz social, garantindo os direitos individuais.
O empresário brasileiro hoje se iguala aos maiores e melhores do mundo, o que faz com que o Estado deixe com eles a responsabilidade de fazer crescer o nosso País.
É possível implantar um liberalismo social, político e econômico, olhando para o desenvolvimento como o único caminho que nos leva a independência e o bem estar da sociedade como um todo.
O recente “plano real” deve, isso sim, ter como parceiro um projeto de desenvolvimento econômico (de produção), porque somente dessa forma teremos preços justos e poder aquisitivo, permitindo a todos, condição de vida melhor. A inflação que cedeu as medidas econômicas e jurídicas, com recessão, fica reprimida somente até o esgotamento dos estoques e ao poder de importação permitido pela balança de pagamentos, hoje favorável pelo atual superávit. Sem uma escalada de produção urgente, sofremos o risco de mais cedo, mais tarde, de uma explosão inflacionária.
Vamos conclamar os brasileiros à luta pela produção e caminhar no sentido do pleno emprego, numa situação capaz de satisfazer a essa população jovem que hoje vive de esperança. Conclamamos todos a defender e praticar os princípios social-liberais, porque somente com eles podemos garantir a Justiça Social e a igualdade de condições para todos os brasileiros.